Sonhar.
Porque pelo menos quatro vezes por semana você clama por roupas e louças autolimpantes e que se guardem sozinhas.
Ter um bicho de estimação.
Não porque quer dar um lar para os animais desabrigados, mas porque se sente mais confortável conversando com um ser que (no máximo) te responde "au", "miau", "grr" (ou nada, se for um peixe, uma tartaruga, uma girafa...) do que falando sozinho.
Saber montar sua refeição no Spoleto sem pensar.
Depois de fazer tantos miojos com o que tem no armário e na geladeira, você já sabe tudo que vai bem junto com macarrão. E o que não combina também.
Regredir.
Você passa a mudar os canais na própria TV, ou usa o telefone na base, por exemplo. Afinal, depois da primeira vez que solta o controle remoto e o telefone sem fio, nunca mais os verá até que alguma visita os ache, acidentalmente – em algum lugar absurdo – para você.
Emagrecer.
Porque, assim como as louças não são autolimpantes, a comida não fica pronta sozinha, nem vai até você no sofá.
Virar um viciado.
Você vira cinéfilo ou leitor assíduo ou série-maníaco ou noveleiro ou compra álbuns de figurinha ou vira chef de cozinha ou superorganizado ou colecionador ou conhece cds completos de trás pra frente ou pior: fica viciado em ter vícios, e adquire todos as alternativas anteriores.

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