sábado, 1 de maio de 2010

O mercado não é rock and roll

Um deles diz que era um sábado à tarde. Outro, segunda à noite. O terceiro afirma categoricamente que foi quando a Lua estava na sétima casa e Júpiter estava alinhado a Marte, e o baixista não fala nada. Já tinham tomado tantos ácidos naquela semana que ninguém sabia dizer quando foi que Rah, o simpático barbudo (e pelado), os chamou para o palco daquele festival de rock no melhor estilo neo Woodstock onde estavam acampados. Assim nasceu Depois do Arrebol, rockband indie de som singular – e tão plural ao mesmo tempo –, com pegadas pop, psicodélicas e alternativas.
João nunca fez aulas, aprendeu a cantarolar acompanhando o FabFour no trânsito sempre que dirigia da sua casa, na Glória, até o sítio do seu primo no Recreio, onde fumavam uns e ficavam deitados ouvindo Pink Floyd e comendo leite condensado com chocolate. Zeu era resultado de muitas noites (e dias e mais noites) viradas e embaladas pela tríade Zeppelin, Hendrix e cocaína. O baterista era pura mistura. Valdir – filho de Valter e Dirce –, fez escola com Modest Mouse, Love, The Who, Sugarplastic, Blitz, Klaus Nakomi... E Leo começou a se arriscar no baixo com Big Brother and the Holding Company, B.B. King, Pixies e tudo mais que o fazia viajar quando escutava chapado (ou seja, praticamente, o tempo todo).
Tinham muito a dizer, quase ninguém disposto a escutar e um produtor musical pronto para colocá-los no mercado – sob ajustes e alterações, claro. Eram agora Os Cariocas, e, se alguém perguntasse, haviam se conhecido na comunidade "tô sem banda" do Orkut. Apenas o nome do álbum de estreia permanecia: Quando o Arrebol Passar o Dia Será Eternamente Noite. Tentaram inisitentemente uma vaga no Circo Voador, mas depois de abrirem uns shows do NX Zero o quarteto da cidade maravilhosa começou a repercurtir pelos veículos populares do país.
Tomaram um café da manhã com Ana Maria Braga e o Louro José e falaram sobre amizade e família. Depois de um playback no Domingão do Faustão, o vocalista foi surpreendido com o Arquivo Confidencial. Foram ao Geral do Brasil e se enfrentaram em uma gincana de duplas. O baterista descobriu que era pai de uma menina de sete meses com o resultado do exame de DNA no Ratinho. O Domingo Legal cogitou, inicialmente, um Lenda Urbana especial, mas colocou Os Cariocas cantando e dançando com as gostosas e os fantasiados na piscina maluca. O tema do Casos de Família daquela semana foi "meu filho só fala de profecias macabras" - uma ligação entre o nome do disco e a profecia do apocalipse. Sonia Abrão aproveitou a deixa e falou sobre o quarteto apocalíptico com todos os seus conhecidos e desconhecidos (menos os próprios). A Tarde é Sua também anunciava que revelaria um parente desconhecido de um integrante da banda – que no fim das contas era uma prima de segundo grau do flautista que fez uma participação na faixa 3.
Os amigos músicos foram jurados do quadro de calouros do Raul Gil um dia depois da tia do guitarrista ganhar uma transformação completa no programa da Marcia. Patrícia Poeta os entrevistou num clima intimista para o Fantástico. O Jornal Hoje de sábado falava de jovens que começam suas bandas de garagem e depois jogaram uma partida de tênis com a Angélica em Angra para o Estrelas. Também foram ao Superpop, dividiram o palco com uns ex-BBBs, mas até hoje ninguém sabe explicar bem a finalidade.
Agora existem mil garotas afim de passear com eles, mas o vocalista está namorando a protagonista da Malhação. Dia desses fez uma serenata improvisada para ela no Video Show e as fotos das últimas férias dos dois podem ser vistas na (ilha de) Caras. O guitarrista anunciou – com exclusividade para Ana Hickmann no Hoje em Dia – seu noivado com Jennifher Regynah, que ele conheceu no Vai Dar Namoro. O baterista casou, no civil e no religioso, com a mãe de sua filhinha (e pagou a casa nova com o dinheiro da venda da exclusividade da cobertura para a Contigo!). O baixista anda tendo as orelhas puxadas pelos parceiros, que ameaçam substituí-lo, segundo Nelson Rubens. Leo vive nos tabloides, fotografado no melhor estilo sexo/drogas – ele é muito rock n' roll para participar de uma banda dessas.

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  1. é... ser muito rock é um fator preocupante quando se quer ter uma banda no Brasil. depois de ver uma matéria sobre esse happy rock, acho até mais fácil um pagodeiro/sertanejo cantar no rock n' rio. ricardo

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  2. os popstars do momento... será apenas mais um desses fenômenos que a tv lança, na maioria das vezes, insiste em lançar... a banda calypso do rock... meu Deus, busquei longe agora... coitados, que comparação! Bem-vindos ao universo televisivo... mas acredito no talento deles! hehehe
    bjos Lara
    Juliano Moreira

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